VAZAMENTO DA PF REVELA CONTRATO DE R$ 131 MILHÕES E ELOS DE ALEXANDRE DE MORAES COM EX-BANQUEIRO DO BANCO MASTER

Relatórios confidenciais da Polícia Federal (PF), que vieram a público recentemente após decisão do ministro André Mendonça, colocaram o ministro Alexandre de Moraes no centro da maior crise institucional da história recente do Supremo Tribunal Federal (STF). Os documentos detalham uma proximidade considerada alarmante entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como líder de um esquema de fraudes bilionárias no Banco Master. 

A investigação aponta três pilares principais que geraram o terremoto político em Brasília: 

1. O Contrato de R$ 131 Milhões e a Edição do Ministro

A PF identificou um contrato milionário de prestação de serviços advocatícios, no valor de R$ 131 milhões, firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. Perícias técnicas realizadas nos metadados do arquivo digital apontaram que o próprio ministro Alexandre de Moraes editou a versão final do documento antes da assinatura. 

Em nota oficial, a defesa do escritório Barci de Moraes confirmou o acesso do ministro ao arquivo. No entanto, alegou que o procedimento tratou-se de uma consulta de compliance interno para avaliar se haveria algum impedimento legal ou conflito de interesses na contratação, enfatizando que Moraes nunca julgou processos ligados à instituição financeira. 

2. Suposto Vazamento de Operações Policiais

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro revelaram conversas diretas com um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Os diálogos sugerem o repasse de informações privilegiadas. Apenas dois dias antes de ser preso ao tentar embarcar em um jatinho particular, Vorcaro perguntou expressamente ao contato: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. 

3. Gestão de Eventos e Cartões de Crédito

Os relatórios da PF também apontam que Moraes gerenciava, de forma informal, detalhes de fóruns jurídicos internacionais organizados pelo Banco Master em Londres, definindo a programação e vetando a participação de desafetos políticos. Além disso, a quebra de sigilo revelou que o banco emitiu cartões de crédito corporativos com limite de R$ 300 mil em nome de dois filhos do ministro. A defesa alega que os cartões jamais foram utilizados. 

Pressão por Impeachment e Desdobramentos

A repercussão do caso paralisou os bastidores do Judiciário e do Legislativo. Juristas e parlamentares de oposição intensificaram a pressão pela abertura de um processo de impeachment contra Moraes no Senado Federal, além de pedirem medidas cautelares de afastamento temporário ao plenário do STF. 

A crise ganhou contornos ainda mais graves após a imprensa revelar que o ministro chegou a pedir vista para travar o andamento de um julgamento de grande interesse do Banco Master logo após o início dos repasses financeiros à banca de sua esposa. O Supremo Tribunal Federal ainda não se manifestou coletivamente sobre o impacto das investigações no colegiado. 

 (Foto: metropoles.com)