Quantos são do PT?

A Polícia Federal (PF) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o primeiro relatório final decorrente da Operação Sem Desconto, indiciando 48 pessoas por envolvimento em um esquema de desvios que pode alcançar R$ 6,3 bilhões. A investigação debruça-se sobre descontos associativos indevidos e sem autorização aplicados diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Nesta primeira etapa, os esforços da corporação concentraram-se em fraudes vinculadas à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). O documento de 265 páginas foi encaminhado ao gabinete do ministro relator, André Mendonça, e seguirá para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Abaixo está o link de acesso ao vídeo de Hevelin Agostinelli que está em nosso canal no Instagram.
O foco das investigações e a ausência do PT na articulação central
Diferente de desinformações que circulam em redes sociais, o relatório da Polícia Federal não aponta o Partido dos Trabalhadores (PT) como o articulador central ou detentor de parlamentares entre os principais cabeças desta fase da operação. O mapeamento político realizado pelos investigadores indica que a sustentação do esquema e a ocupação de cargos estratégicos na cúpula do INSS estavam majoritariamente ligadas a siglas como o PDT, Republicanos e PSD.
O cruzamento de dados feito pela PF expõe que o esquema atravessou diferentes gestões federais, operando com ramificações técnicas, operadores financeiros e lobistas.
Principais indiciados e suas conexões partidárias
Entre os 48 indiciados pela Polícia Federal, destacam-se figuras públicas e operadores que exerciam forte influência na autarquia:
- Alessandro Stefanutto (ex-presidente do INSS): Servidor de carreira, foi demitido do cargo após o estouro do escândalo. Sua indicação à presidência do órgão ocorreu por meio do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi. Stefanutto era filiado ao PSB e migrou posteriormente para o PDT. Recentemente, ele também foi alvo de um segundo inquérito da PF que apura fraudes semelhantes ligadas à Contag.
- José Carlos Oliveira (ex-ministro da Previdência): Comandou a pasta durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, período no qual foram assinados os acordos de cooperação com as entidades sob suspeita. Oliveira é filiado ao PSD.
- Euclydes Pettersen (deputado federal): O parlamentar é apontado pelos investigadores da PF como o principal fiador político do grupo no Congresso Nacional. Pettersen exerce a presidência do Republicanos em Minas Gerais.
- Carlos Roberto Ferreira Lopes: Presidente da Conafer, apontado como um dos líderes do núcleo associativo. Lopes permaneceu foragido por meses e se entregou voluntariamente à Polícia Federal em Brasília. Não possui histórico de cargos eletivos pelo PT.
- Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”): Empresário e lobista central do esquema. A quebra de sigilo de seus dispositivos levou a PF a abrir linhas secundárias de apuração para verificar supostos tráfegos de influência, mas o operador não possui vínculo institucional com o PT.
Próximos Passos
O caso corre em segredo de Justiça. Caberá à PGR decidir se apresenta denúncia formal contra os 48 indiciados, se solicita o arquivamento das suspeitas ou se requisita novas diligências complementares à Polícia Federal.
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