O cineteatro do CEU Mestre Alceu – Florence I foi palco de um importante marco para a cultura comunitária da região do Campo Grande, em Campinas. No último domingo, 27 de setembro, às 17h, o projeto Teatro para Múltiplas Idades realizou a apresentação de estreia do espetáculo “A Última Cortina”. A comédia de bastidores foi inteiramente concebida, escrita e encenada de forma coletiva por moradores locais de diferentes gerações.
A apresentação consolidou a conclusão da oficina “Dramaturgia: da criação do texto à montagem teatral”. O projeto foi viabilizado por meio do patrocínio do coletivo Quebrada em Movimento e da Casa Hacker, contando com o apoio institucional da Fundação FEAC.
A Proposta do “Teatro para Múltiplas Idades”
Muito mais do que um curso tradicional de artes cênicas, a iniciativa propôs o teatro como um território de convivência intergeracional e inclusão social. Ao colocar crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos compartilhando o mesmo espaço criativo, o projeto quebrou barreiras etárias e descentralizou o acesso à produção artística nas periferias de Campinas.
O processo formativo foi dividido em duas grandes etapas:
- Dramaturgia e Escrita Coletiva: Realizada no espaço comunitário da Casa dos Anjos, onde os participantes aprenderam técnicas de construção de personagens, diálogos e estruturas de conflito cênico, escrevendo juntos o texto original da peça.
- Ensaios e Prática de Montagem: Conduzida diretamente nas dependências do CEU Florence, focando na expressão corporal, voz e no jogo de cena necessário para levar o texto ao palco.
Liderança e Trajetória Artística
A idealização e a coordenação pedagógica do projeto levaram a assinatura da atriz, arte-educadora e diretora Rayana Miyamoto. Graduada em Licenciatura em Arte-Teatro pela UNESP e com formação técnica em Humor pela prestigiada SP Escola de Teatro, Rayana possui um histórico sólido de atuação em companhias independentes e no desenvolvimento de oficinas públicas para a Prefeitura Municipal de Campinas. Na direção de “A Última Cortina”, Rayana contou com a codireção de Vitor Eliziário.
O Espetáculo: Caos e Metateatro em “A Última Cortina”
Com uma classificação indicativa de 12 anos, a narrativa da peça utilizou o recurso do metateatro — o teatro dentro do teatro — para arrancar risadas do público. A trama acompanhou a jornada desesperada de uma companhia teatral fictícia que se encontrava à beira da falência e do fracasso.
Para salvar o grupo, o diretor apostou todas as fichas na chegada iminente de uma grande e famosa estrela dos palcos. No entanto, uma sequência de mal-entendidos, mentiras e enganos fez com que um desconhecido fosse confundido com a celebridade esperada. O erro desencadeou um caos generalizado nos bastidores, mostrando de forma satírica e leve tudo o que pode dar errado antes que a última cortina caia.
Próximos Passos
A sessão especial de domingo teve entrada franca e atraiu a comunidade local. Quem perdeu ou deseja rever o espetáculo deve ficar atento, pois novas datas podem surgir. A recomendação dos organizadores é acompanhar as redes oficiais do projeto para acompanhar as futuras atualizações da agenda de circulação da companhia.
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