
Após anos de intensos embates políticos no Brasil, a família Bolsonaro decidiu buscar novos ares e fixar residência no tradicional e conservador estado do Texas, nos Estados Unidos. Conhecido por sua forte cultura de direita, rodeios e forte defesa das liberdades individuais, o território texano parecia o refúgio perfeito para o clã político brasileiro. O plano era simples: viver em um ambiente onde o espectro do esquerdismo estivesse firmemente enterrado. No entanto, o destino reservava uma ironia de proporções continentais.
Pouco tempo após a mudança, ao acompanharem o noticiário político local e as movimentações para as eleições estaduais, os membros da família foram tomados por um sobressalto. Cartazes, menções em redes sociais e debates televisivos traziam à tona uma sigla que causou arrepios imediatos: PT.
No Texas, o acrônimo não se refere ao Partido dos Trabalhadores brasileiro, mas sim ao Progress Texas, uma organização de mídia e promoção de políticas progressistas altamente ativa no estado. Fundado com o objetivo de impulsionar pautas de esquerda, o Progress Texas — ou o “PT dos EUA”, como os recém-chegados começaram a chamar, metade em piada, metade em desespero — tem ganhado tração e ajudado a eleger diversos candidatos de perfil liberal e progressista em distritos historicamente conservadores e nas grandes metrópoles texanas, como Austin, Houston e Dallas.

Fontes próximas à rotina da família relatam, em tom de anedota, que os primeiros dias foram de pura confusão cognitiva. Ao ver uma manchete local celebrando o avanço das pautas do Progress Texas na assembleia legislativa, o clã teria entrado em alerta máximo, acreditando que seus antigos rivais políticos haviam cruzado o Oceano Atlântico para persegui-los em solo americano.
A confusão linguística e política logo se transformou em uma constatação amarga para os novos moradores. Mesmo no coração do “Lone Star State”, a onda progressista que eles tanto combateram no Brasil mostrava sua força, vencendo eleições locais, mobilizando a juventude e alterando a demografia eleitoral de um dos estados mais simbólicos do conservadorismo americano. A estratégia do Progress Texas em usar ferramentas digitais sofisticadas e narrativas de impacto para virar distritos vermelhos (republicanos) em azuis (democratas) provou que o “fantasma” que os assombrava no hemisfério sul possuía uma versão bem consolidada no hemisfério norte.

Vizinhos relatam que a decoração da nova residência dos Bolsonaro, inicialmente repleta de bandeiras texanas, agora divide espaço com expressões de perplexidade diante do cenário político local. A tentativa de escapar da polarização e do avanço das pautas de esquerda resultou em um reencontro inevitável com as mesmas dinâmicas globais de disputa ideológica. No fim das contas, a mudança para o Texas mostrou que, seja em português ou em inglês, o “PT” — por vias e significados completamente diferentes — continua sendo um vizinho inescapável para a família.

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