A Encruzilhada da Fé: A Metamorfose Política no Meio Evangélico

Nas últimas décadas, estudiosos e sociólogos têm observado uma profunda transformação no comportamento político dos evangélicos no Brasil. O segmento, que historicamente esteve associado à defesa de minorias religiosas contra a hegemonia católica no início do século XX e que teve lideranças de destaque na resistência à ditadura militar — como o pastor Jaime Wright, coorganizador da obra fundamental Brasil: Nunca Mais —, hoje apresenta parcelas expressivas que declaram apoio a discursos de teor autoritário, armamentista e contrários a pautas de minorias.

Para analistas da interface entre religião e política, essa mudança não ocorre no vácuo. Teólogos e críticos do atual cenário apontam que a expansão de uma teologia de viés reacionário, muitas vezes importada ou adaptada de matrizes norte-americanas durante o período do regime militar, pavimentou o caminho para a união entre dogmas morais e discursos de segurança pública baseados na força.

O reverendo Caio Fábio, influente liderança histórica e ex-presidente da Associação Evangélica Brasileira (AEVB), tem sido uma das vozes mais contundentes na crítica a essa guinada. Em entrevistas publicadas em veículos como o G1 e a Folha de S.Paulo, ele argumenta que muitas lideranças contemporâneas agem guiadas por uma “vocação para aiatolá”, distorcendo a mensagem original do Evangelho para a obtenção de poder e privilégios políticos. Caio Fábio defende que o apego ao poder secular trai os fundamentos ensinados por Jesus, aproximando certas estruturas eclesiásticas do comportamento dos fariseus e do sinédrio da antiguidade.

Do ponto de vista bíblico, críticos dessa aliança apontam uma contradição com textos clássicos que exigem o acolhimento aos vulneráveis. O profeta Isaías (1:17), por exemplo, exorta: “Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, socorrei o oprimido”. Da mesma forma, os ensinamentos dos Evangelhos, como em Mateus 25, vinculam a fidelidade cristã diretamente ao amparo aos pobres, famintos e marginalizados. Quando segmentos religiosos endossam discursos que relativizam os direitos humanos ou celebram a violência estatal, teólogos da Missão Integral alertam para o esvaziamento ético da fé.

Essa complexa dinâmica entre crença e ideologia demonstra que a identidade evangélica no Brasil não é homogênea, mas encontra-se em constante disputa hermenêutica entre a memória de sua tradição pacífica e o pragmatismo das coalizões políticas contemporâneas.

Ou seja, o povo assim chamado evangélico, ao longo de décadas, vem se deixando levar por ideias, sugestões e imposições estadunidenses que usam a fé e os ensinamentos bíblicos (que muita gente usa como base de sua religião) para induzir as pessoas a amarem o dinheiro, a violência e a tortura como meios de conseguir dominação e implantar uma nova ditadura, seja ela militar, cívico-militar ou civil. Alguns já deram até nome à ditadura evangélica: Evangelistão.

Assim, uma espécie de Sharia será implantada no Brasil. Alguns desses políticos de extrema-direita já avisam que mulher não pode votar. (Por Sharia, termo islâmico, entendemos uma extrema e duríssima doutrina supostamente religiosa que obriga mulheres a usar burca, a ser totalmente submissa aos piores caprichos masculinos, a suportar castigos como surras e abusos sexuais, além de serem semi-escravas ou escravas mesmo).

Vemos a terrível mudança na mente dessas pessoas que se intitulam evangélicas, mas que quase não usam o Novo Testamento para justificar suas falas, porque este trata dos cuidados com as minorias, dos pobres e miseráveis e eleva o ser humano ao nível mais elevado possível, aproximando-o de Deus e tirando-o da animalidade (da condição de animal violento e perigoso que age apenas por instinto de sobrevivência). Pelo contrário, preferem usar o Antigo Testamento, que fala de violência, golpes, guerras, ataques, abusos sexuais e uma série de esquisitices que não poderiam ser usadas como base para a religião cristã inaugurada por Jesus, o Grande Mestre, e espalhada por todos os discípulos e apóstolos, principalmente encabeçados pelo apóstolo Paulo que, na verdade, nem conheceu Jesus.

Esses atuais evangélicos sem o menor conhecimento de mistérios e das profundidades dos conhecimentos de Jesus, ensinam a animalização do ser humano até chegar à barbárie.

O próprio termo “apóstolo” jamais deveria ser usado por qualquer um a não ser os primeiros e originários que seguiam Jesus, tendo-o conhecido pessoalmente (excetuando Paulo). Mas o desrespeito e a soberba atuais são tão grandes que, hoje em dia, qualquer um pode se intitular bispo, pastor e, pasmem, até “apóstolo” apesar de pregarem qualquer coisa menos os verdadeiros ensinamentos de Jesus também chamado de Cristo, de Messias ou de Ungido.

É lamentável o que vem ocorrendo e hoje, nesta época, vemos que o Brasil corre o risco de cair em uma nova ditadura sanguinária pelas mãos daqueles que deveriam defender a paz, o amor e a compreensão.

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