A exatos 12 dias do segundo turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira (13), no Palácio do Planalto, o pacote Prospera MEI. O conjunto de cinco medidas econômicas visa socorrer financeiramente os Microempreendedores Individuais (MEIs) e reaquecer a categoria. Politicamente, a iniciativa estratégica busca atrair o voto de um setor produtivo resistente ao governo e reverter a vantagem de 2,2 milhões de votos conquistada por Flávio Bolsonaro (PL) na primeira etapa da disputa.
O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira, detalhou os cinco pilares do plano emergencial:
- Perdão automático de dívidas públicas: Envio de um Projeto de Lei Complementar (PLP) para anistiar integralmente R$ 12,6 bilhões em débitos tributários de 3,6 milhões de MEIs inscritos na dívida ativa da União. O benefício será automático, sem necessidade de deslocamento por parte do trabalhador.
- Desenrola MEI Pequeno Valor: Uma linha de renegociação focada em dívidas privadas e bancárias de até R$ 8.105 (cinco salários mínimos). O Tesouro Nacional comprará essas carteiras exigindo descontos mínimos de 90% das instituições financeiras.
- Pix MEI (Aporte de fomento): Considerada a principal novidade, a medida prevê um repasse direto de até R$ 5 mil por empreendedor para a compra de equipamentos e melhorias físicas. O governo enfatizou que não se trata de empréstimo ou crédito, mas sim de capital semente sem necessidade de reembolso, com prioridade inicial para mulheres de menor faturamento.
- Ampliação gradual do teto anual: O governo pediu celeridade ao Congresso para votar o aumento do limite de faturamento. A nova proposta prevê um reajuste progressivo: subindo dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e alcançando R$ 140 mil em 2028, além de permitir a contratação de até dois funcionários (hoje o limite é apenas um).
- Fim da burocracia na Nota Fiscal: Assinatura de um decreto que ratifica e deixa explícita a dispensa de emissão de nota fiscal quando o MEI vender produtos ou prestar serviços diretamente para pessoas físicas.
A categoria do MEI engloba milhões de prestadores de serviços, comerciantes e autônomos que buscam manter a formalização de seu CNPJ, usufruir da tributação simplificada e assegurar direitos previdenciários básicos. De acordo com os ministérios envolvidos, as propostas buscam aliviar o endividamento e impulsionar a transição desses negócios para patamares mais robustos de crescimento.
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